quinta-feira, abril 17, 2014


Escolhas

Na vida temos sempre pelo menos dois caminhos a percorrer quando precisamos decidir algo. Podemos sempre aprender com as escolhas e as situações. Podemos mudar os caminhos neurais e mudar nossas vidas. É uma escolha percorrer por novas ruas.

Indico a leitura com reflexão desse texto abaixo.

Om shanti
Camila Reitz








AUTOBIOGRAFIA EM CINCO CAPÍTULOS

- Sogyal Rinpoche -
 
1. Ando pela rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Eu caio...
Estou perdido... Sem esperança.
Não é culpa minha.
Leva uma eternidade para encontrar a saída.
 
2. Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Mas finjo não vê-lo.
Caio nele de novo.
Não posso acreditar que estou no mesmo lugar.
Mas não é culpa minha.
Ainda assim leva um tempão para sair.
 
3. Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Vejo que ele ali está.
Ainda assim caio... É um hábito.
Meus olhos se abrem.
Sei onde estou.
É minha culpa.
Saio imediatamente.
 
4. Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Dou a volta.
 
5. Ando por outra rua.
 
(Texto extraído de "O Livro Tibetano do Viver e do Morrer" -“ Sogyal Rinpoche -“ Editora Talento/Palas Athena).


quinta-feira, fevereiro 13, 2014

Reportagem na Revista Yoga Journal



Ano passado enquanto estava fazendo o tratamento escrevi esta matéria para a revista Yoga Journal. Publico para vocês e anuncio que a revista estará lançando nova edição em março. 




Agradeço sempre a querida editora da revista Greice e o designer Huan Gomes. Amo vocês! Huan tirou a foto da capa e outras mais, aquela manhã foi linda! E eu por dentro sofrendo por pensar estar na capa da revista por que tinha câncer. Depois que entendi, estava na capa pois iria me curar!


Agradeço a todos os professores que colaboraram para esta reportagem, você me deram muita força! Fez muito bem saber do meu valor para vocês.


Em especial o Dr. Ruguê que muito sabiamente fala sobre o câncer e os mitos dos programas de auto-ajuda. Gratidão sempre!

Vai Camila!!!!













sexta-feira, fevereiro 07, 2014


Kshanti

Cultivando a aceitação e o estado de paz

Swami Dayananda Saraswati



A palavra sânscrita kshánti freqüentemente é traduzida como "tolerância" ou "capacidade de suportar". Mas essas duas expressões portuguesas trazem um sabor negativo de "sofrimento resignado", quando, ao contrário, kshánti é uma atitude positiva - não uma resignação dolorosa. Uma tradução melhor seria "acomodação". A atitude de kshánti significa que eu, alegremente, calmamente, aceito aquele comportamento e aquelas situações que não posso mudar. Desisto da expectativa ou exigência pela mudança de outra pessoa ou situação, de forma a se moldar ao que penso ser agradável para mim. Eu me acomodo às situações e às outras pessoas alegremente.

Todos os relacionamentos requerem acomodação
Esse valor deve ser construído a partir da compreensão da natureza das pessoas e dos relacionamentos entre elas. Nunca encontrei numa pessoa todas as qualidades de que gosto ou todas de que não gosto. Qualquer pessoa será uma mistura de coisas que acho interessante e outras que considero desinteressantes. Similarmente, eu terei o mesmo impacto nos outros. Ninguém vai me achar totalmente agradável. Quando reconheço esses fatos, vejo que todos os relacionamentos requerem alguma acomodação da minha parte. Não estarei disposto, ou talvez não serei capaz de mudar ou satisfazer todas as expectativas que o outro tem de mim; tampouco os outros estarão dispostos ou serão capazes de mudar e satisfazer todos os meus critérios em relação a eles. Nunca encontrarei um relacionamento que não requeira acomodação.

Em especial, os relacionamentos que envolvem coisas que fortemente desgosto em alguém requerem acomodação da minha parte. Se eu for capaz de modificar a pessoa, ou se puder colocar uma distância entre mim e ela, sem faltar ao meu dever, tudo estará bem. Mas se não puder fazer isso, simplesmente devo me acomodar alegremente. Ou seja, devo tomar a pessoa como ela é. Não posso esperar que o mundo ou as pessoas mudem. Simplesmente não é possível compelir as pessoas a mudar para satisfazer minha expectativa de como elas deveriam ser. Algumas vezes alguém pode mudar um pouco por mim ou pode tentar mudar, mas não posso contar com isso. Geralmente, quando quero uma mudança nos outros, eles também desejam uma mudança em mim. Teremos, então, um impasse.

Para kshánti, diminua as expectativas
Quando examinar meus processos mentais, provavelmente verificarei que, para minha surpresa, eu ofereço kshánti mais prontamente para um tolo insuportável do que para meu melhor amigo. Isso porque não espero algo sábio ou inteligente de um tolo; mas espero que meu amigo viva de acordo com certos padrões que considero adequados. Um tolo incorrigível não consegue me desapontar, mas outros, por uma razão ou outra, em algum momento, conseguem. Não deveria ser assim. Minhas expectativas deveriam colocar todos na mesma categoria do tolo incorrigível. Ninguém deveria ser capaz de me desapontar, mas somente capaz de me surpreender. E minha atitude deve ser a de estar preparado para acomodar todas as surpresas possíveis.

Devo acomodar as pessoas como acomodo objetos inertes, isto é, devo tomá-las como são. Eu não gosto de ser queimado pelo Sol, porém não peço ao Sol que pare de brilhar. Aprecio a benção mista de um Sol quente brilhando e entendo que, sendo uma benção mista ou não, não posso desligá-lo. Não peço às abelhas que não tenham ferrão, tampouco odeio as abelhas se, estando no caminho delas, recebo uma picada. Continuo apreciando a função da abelha e aproveito o mel. Porém, considero ser muito mais difícil ter para com as pessoas a atitude que tenho com os insetos e objetos inertes. Posso me relacionar adequadamente com um objeto inerte ou uma criatura selvagem porque não espero qualquer mudança deles. Mas espero que as pessoas possam mudar para se tornarem mais agradáveis para mim. Mantenho minha mente agitada com exigências contínuas por mudanças de forma que os outros em minha vida sejam mais de acordo com as minhas preferências. De fato, nem os humanos podem ser capazes de mudança. Freqüentemente não conseguem mudar ou por falta de força de vontade ou por falta de vontade. Quando alguém não consegue mudar ainda que deseje mudar é porque não possui força de vontade. Nada mais há a fazer, a não ser acomodar essa pessoa. Quando uma pessoa não muda porque não deseja tentar a mudança, podemos tentar convencê-la a ter a vontade de se beneficiar de uma mudança. Se não for possível convencê-la, então acomode-a. O que mais se pode fazer?! De qualquer maneira, o mundo é amplo. A variedade torna-o mais interessante. Há espaço suficiente para acomodar a todos.

Responda à pessoa, não à ação
Para descobrir dentro de mim um valor pela acomodação, eu deveria olhar para a pessoa por trás da ação. Geralmente, é quando estou respondendo ao comportamento da pessoa, à sua ação, que acho difícil ser acomodativo. Quando tento entender a causa por detrás da ação, me coloco numa posição de responder à pessoa e não à ação, e então minha resposta para essa pessoa pode ser uma resposta acomodativa. Tento ver o que existe por detrás do súbito ataque de raiva ou da explosão de ciúmes ou da conduta dominadora e respondo à pessoa, e não às ações. Se não consigo ver o que há por detrás das ações, ainda assim, tenho em mente o fato de que muitas razões desconhecidas por mim armam o palco para qualquer ação por parte da outra pessoa. Com essa disposição de espírito achei natural ser acomodativo. Numa situação onde minha interação é para com a pessoa em vez de para com a conduta, conseguirei me manter calmo. De fato, a dissolução de qualquer discussão entre pessoas é quase sempre o resultado de uma apreciação mútua feita pelas pessoas em vez de uma nova atitude quanto à conduta irrefletida.

Reações mecânicas impedem a acomodação. Para ser livre ao interagir com uma pessoa, devo ser livre de reações mecânicas. Tenho que escolher minhas atitudes e fazer as ações deliberadamente. Uma reação é um tipo de conduta mecânica e não-deliberada. É uma resposta condicionada extraída de experiências anteriores, sem autorização prévia da minha vontade. Na verdade, é uma resposta que não foi avaliada conforme a estrutura de valores que estou tentando assimilar, mas que somente ocorreu. Algumas vezes a minha reação pode ser uma ação ou atitude que, mais tarde, após reflexão, eu aprovaria. Outras vezes minhas reações podem ser completamente contrárias às atitudes e ações que eu gostaria de manter ou fazer. Reações podem ir contra toda a minha sabedoria, estudo e experiência anterior. Esses fatores são relegados e a reação ocorre. O que aprendi anteriormente torna-se sem valor para mim. Posso ter lido todas as escrituras do mundo, posso ser um ótimo estudante de sistemas éticos, posso ser um profissional diplomado em dar conselhos aos outros, mas quando acontece a reação, essa será exatamente tão mecânica como a de qualquer outro. Sabedoria, aprendizado e experiência não me servirão de nada. Portanto, até que meus valores éticos se tornem completamente assimilados, estabelecendo uma base a partir da qual atitudes e ações corretas surjam espontaneamente, devo, através da atenção, evitar reações e, ao invés disso, deliberadamente e refletidamente escolher minhas ações e atitudes. Quando evito reações, estou livre para escolher minhas ações e atitudes, posso ser acomodativo em meus pensamentos, palavras e ações.

kshánti e ahimsá: qualidades de um santo
Acomodação é uma qualidade bela e santificada. Dentre todas as qualidades, ahimsá e kshánti constituem as qualidades de um santo. As qualificações mínimas para um santo são essas duas qualidades. Não é preciso ter sabedoria nem é necessário o aprendizado das escrituras para ser um santo, mas a pessoa deve ter esses dois valores. Um santo é uma pessoa que nunca fere conscientemente outra pessoa pela palavra, ação ou pensamento, e que aceita as pessoas - boas ou ruins - exatamente como elas são; que tem uma infinita capacidade de acomodar, perdoar e ser compassivo. Essas qualidades (acomodação, perdão, compaixão...) estão incluídas na qualidade chamada kshánti. Um santo sempre é dotado de kshánti - uma capacidade infinita para a compaixão. Ele responde à pessoa, não à ação. Ele vê a ação errada como um erro originário de um conflito interno e é compassivo para com a pessoa que o comete. Uma atitude de kshánti, acomodação, expande o coração. Esse se torna tão amplo que aceita todas as pessoas e circunstâncias exatamente como elas são, sem desejos ou cobranças de que sejam diferentes. Isso é kshánti.

(fonte:http://www.vidyamandir.org.br/swami2.htm)

terça-feira, janeiro 21, 2014

Acreditar na força do Universo

O texto abaixo foi escrito em junho de 2012. Em outubro de 2012 fui diagnosticada com câncer. E não retiro nenhuma palavra deste texto, apenas acredito ainda mais na força do Universo.



Quando olho para a história da minha vida e para tudo o que já aconteceu desde que nasci, vejo a perfeição, percebo que todos os acontecimentos já passados não poderiam ter sido diferentes. Tudo o que aconteceu foi exatamente como deveria ser. Quando nossa visão fica mais ampla é possível perceber que existe uma ordem no Universo, tudo é exatamente da forma que tem que ser. Tudo acontece no seu tempo perfeito.

Ter essa consciência traz uma confiança enorme em nós mesmos e na ordem do Universo. Deveríamos perceber que cada dia é um milagre, todos os dias quando o sol nasce. Mas geralmente só entramos em contato com essa força e essa crença quando algo muito difícil acontece. Quando grandes obstáculos se põem a nossa frente.

Quando percebemos que existe uma força maior do que nós e que ela é a causadora das coisas, tiramos um grande peso dos nossos ombros. Continuamos seguindo o Dharma, fazendo aquilo que deve ser feito por nós. E aprendemos a aceitar o resultado dos nossos atos.

Você já olhou para a sua história de vida através dessa percepção? Consegue ver que tudo foi exatamente da maneira que tinha que ser? Que nada é por acaso e que tudo tem sua razão, apesar de às vezes não conseguirmos perceber? Quando tomamos consciência disso, tudo o que acontece é uma oportunidade de aprender e crescer. As dificuldades são marcos que nos mostram os caminhos a serem trilhados.

Há muitos anos atrás tive uma gravidez e após três meses de gestação tive um aborto espontâneo. Naquele momento fiquei muito triste, e sofri durante muitos anos. Realmente foi a maior dor que já senti, e essa dor só passa com a vinda de um novo neném. Faz poucos dias meu filho chegou. Num parto normal super difícil, chegou cheio de saúde. Olho pra ele e percebo que podemos sim confiar, podemos acreditar no nosso potencial, na nossa intuição e nossa força inesgotável.

Observe os fatos da sua vida de forma mais ampla, perceba a ordem dentro dos fatos. Acredite em você, acredite na força do Universo. Que tudo é exatamente como tem que ser. Não espere que algo dramático aconteça na sua vida para conseguir se conectar com essa força. Viva ela agora! 

sexta-feira, dezembro 20, 2013

Quimioterapia e Yoga

Me olhando de frente
Estava para tirar fotos praticando Yoga para mostrar como me encontro no presente.
Vários quilos acima do peso normal, corpo duro, inflexível e muito dolorido, músculos flácidos por conta da falta de exercícios mais fortes e da quantidade de cortisona que tomei, cabelos crescendo com cachos incontroláveis, pele sensível e manchada pelos efeitos da quimioterapia.
Volto a ser uma iniciante, e sinto que é bem mais difícil iniciar aos quarenta anos do que iniciar aos dezoito anos, quando fiz minha primeira aula.
Mesmo com a auto estima baixa, enfrentei os sentimentos que me pediam para não tirar as fotos e fui. Minha querida tia Ro, com sensibilidade, humor e um olhar especial, tirou lindas fotos, mesmo num dia nublado.
Estas fotos têm como objetivo maior incentivar pessoas a praticar Yoga, mesmo que façam apenas pequenos movimentos, pequenos alongamentos, rotações das articulações, mesmo que seja só respirar, mesmo que seja somente ficar consigo por alguns minutos.

Estas fotos têm como objetivo ainda maior, mostrar que câncer têm cura, que o tratamento é difícil porém é possível. Que a quimioterapia deve que entrar no corpo, fazer seu papel, e nós não pacientes, mas conscientes do processo devemos ajudá-la a sair do corpo. Os exercícios do Yoga são uma excelente opção de apoio a cura. Ao fazer quimioterapia, pratique Yoga.







quinta-feira, novembro 28, 2013

Eu, uma iniciante no Festival de Yoga da Bahia

Depois de dois anos sem ministrar aulas, foi lindo estar de volta à comunidade de Yoga. Decidi junto com uma das minhas melhores amigas a ir ao Festival de Yoga da Bahia em uma das visitas que ela me fez durante o meu transplante de medula.

Compramos as passagens, fizemos a matricula no evento e então eu enviei um e-mail para Marcos Aquino para me oferecer para ajudar em algo. Disse que como fiquei tanto tempo sem trabalhar estava disponível para poder ajudar. E ele abriu um espaço para mim!

A vida pegando fogo aqui em casa, nos mudamos um dia antes de eu ir viajar. Meu marido ficou um pouco chateado, pois imagina, a casa virada de cabeça para baixo e o nosso filho de um ano e seis meses correndo para lá e para cá durante o final de semana que a mamãe estaria na Bahia. Mas ele sabia que este momento era muito importante para mim.

Os queridos Barbara e Frandu da produtora Bodhgaya me convidaram para dar uma entrevista para o Doc Hermógenes, filme documentário sobre a vida deste querido grande mestre de Yoga. Eu me emocionei neste depoimento, lembrei do momento no transplante em que de um lado segurei na mão de Deus e do outro lado segurei na mão do Professor Hermógenes e repetia mentalmente: Entrego, Confio, Aceito e Agradeço. Foi lindo!

As aulas dos outros professores convidaram foram incríveis, meu corpo todo doía, mas doía muito. Minha flexibilidade foi embora (mas não para sempre). Estava eu lá, após 22 anos de prática de Yoga como uma dedicada aluna iniciante. Que bom que podemos sempre recomeçar.

Minha palestra foi a penúltima do evento, minha emoção era grande. Pensei tantas coisas no que falar, afinal de contas aprendi tanto com tudo o que vivi. E lá no evento aprendi tanto também. Então na minha palestra falei sobre a vida de Yoga e como a eminência da morte nos faz pensar no que devemos fazer da vida. Devemos aproveitá-la da melhor maneira possível. Devemos nos incomodar menos com os problemas e começar agora fazer da nossa a vida a vida que gostaríamos de ter, porque a vida é AGORA.

quarta-feira, setembro 11, 2013

Emoções e Câncer

Por muitas vezes achei que essa história de que o câncer tem ligações com situações emocionais era uma grande besteira, afinal é algo que não pode ser comprovado.

Mas depois de ter passado por ele, percebo que pode sim ter algo em comum.

O mais importante disso tudo é não ficar “encafifado” em querer achar respostas, mas poder mudar a sua vida para a vida que você gostaria de ter. Para mim fez parte do processo de cura refletir sobre todas as situações emocionais e aprender a perdoar. Perdoar é saber esquecer o ruim, é conseguir ficar com o bom daquilo que passou.

Tive muitos ganhos com o todo o processo. Posso dizer que sou hoje uma pessoa mais feliz. E que têm ainda muito o que aprender!


segunda-feira, agosto 26, 2013

Cabelo crescendo e tudo o mais


Como alguns já sabem passei pelo momento mais difícil da minha vida há pouco tempo. Em 2012 meu filho nasceu, Deus me enviou um anjo. Quando ele completou 5 meses fui diagnosticada com Linfoma de Hodgkin. Nada fácil. Mesmo sabendo das grandes chances de cura, saber que teria que passar por um tratamento tão agressivo me deixou cheia de medos. E sem saber bem sobre o que ia acontecer, iniciei o tratamento. Durante todo o processo vieram os exames, as mudanças de tratamento, as mudanças de médicos, os milhões de conselhos dos amigos sobre o que deveria e não deveria fazer para melhorar.

Passei por fases de odiar ouvir alguém falar sobre outra história de algum conhecido com câncer. E as receitas?! Passei por momentos de agradecer e entender que as pessoas na verdade só queriam o meu bem. Aliás, meu marido na época me falou: “Calma Camila, as pessoas só querem te ajudar. Imagina se elas soubessem o que você tem e não falassem nada, se não estivessem nem ai com seu problema?”. Pronto, comecei a ouvir e agradecer.
Quando passamos por um processo desses, ouvimos muita coisa. E também refletimos muito sobre a vida em si. Eu percebi que poderia ter uma vida melhor do que estava tendo. Vendi minha empresa de roupas e decidi trabalhar somente com o que me dá satisfação, ou seja, ajudar as pessoas a encontrarem seu potencial maior. Ou na linguagem do Yoga, ajudar as pessoas a encontrarem seu Dharma e sua própria natureza, swarupe.
Hoje completo 32 dias após o transplante de medula autólogo. Este foi um tratamento para consolidar minha cura. O tratamento durou exatamente 10 meses. Estes foram os meses mais difíceis da minha vida. Fiquei muito inconformada com a doença. Como Eu, que sempre fui tão saudável?! Sofri demais com a questão da aparência, tanto que consegui segurar meu cabelo na cabeça até o final, meu cabelo só caiu mesmo, em tufos após o transplante. Hoje estou careca, mas curada! Quando saio na rua fico com um tipo de vergonha das pessoas, mesmo porque estou usando mascara, pois meu sistema imunológico está muito debilitado. Mas tenho vontade de mostrar minha careca para os amigos. 
Agora me sinto muito fraca, meu hemograma mostra que estou com anemia. No momento tenho que descansar. Minha prática de Yoga está sendo em cima da minha cama king size, o chão com tapetinho ainda se mostra muito duro para quem passou por tudo o que passei.
Senti uma sensação de leveza e conforto quando abri no Facebook que estava com a doença. Tudo deixou de ser tão estranho. Os depoimentos das pessoas me ajudaram muito. Agradeço a cada uma das postagens. Encontrar com os amigos na rua e receber um abraço sempre me emocionava. Tudo bem que eu sou uma chorona mesmo. E quando finalmente recebi o resultado do ultimo exame confirmando minha cura, meu Deus, que alegria. E ver a alegria dos meus amigos é incrível. Fico tão feliz que as pessoas estão felizes por que eu tão cedo não vou morrer!
Uma das minhas alunas disse um dia para mim que tudo isso era só para que eu soubesse o quanto sou forte e amada. E ela tem razão! Amo todos os meus alunos, te amo Roberta!
Ontem sonhei que meu cabelo estava crescendo, e hoje vi que está crescendo mesmo! Bem, aqui algumas idéias. Estou organizando elas aos poucos. Espero que gostem!

terça-feira, julho 16, 2013


O Convite

 “Não me importa saber como você ganha a vida. Quero saber o que mais deseja e se ousa sonhar em satisfazer seus anseios do seu coração.

Não me interessa saber sua idade. Quero saber se você correria o risco de parecer tolo por amor,pelo seu sonho, pela aventura de estar vivo.

Não me interessa saber que planetas estão em quadratura com sua lua. O que eu quero saber é se você já foi até o fundo de sua própria tristeza, se as traições da vida o enriqueceram ou se você se retraiu e se fechou, com medo de mais dor.

Quero saber se você consegue conviver com a dor, a minha ou a sua, sem tentar escondê-la, disfarçá-la ou remediá-la. Quero saber se você é capaz de conviver com a alegria, a minha ou a sua, de dançar com total abandono e deixar o êxtase penetrar até a ponta dos seus dedos, sem nos advertir que sejamos cuidadosos, que sejamos realistas, que nos lembremos das limitações da condição humana.

Não me interessa se a história que você me conta é verdadeira. Quero saber se é capaz de desapontar o outro para se manter fiel a si mesmo. Se é capaz de suportar uma acusação de traição e não trair sua própria alma,ou ser infiel e, mesmo assim, ser digno de confiança.

Quero saber se você é capaz de enxergar a beleza no dia-a-dia, ainda que ela não seja bonita, e fazer dela a fonte da sua vida. Quero saber se você consegue viver com o fracasso, o seu e o meu, e ainda assim pôr-se de pé na beira do lago e gritar para o reflexo prateado da lua cheia: "Sim!”

Não me interessa saber onde você mora ou quanto dinheiro tem. Quero saber se, após uma noite de tristeza e desespero, exausto e ferido até os ossos, é capaz de fazer o que precisa ser feito para alimentar seus filhos.

Não me interessa quem você conhece ou como chegou até aqui. Quero saber se vai permanecer no centro do fogo comigo sem recuar.

Não me interessa onde ou com quem estudou. Quero saber o que o sustenta, no seu íntimo, quando tudo mais se desmorona. Quero saber se é capaz de ficar só consigo mesmo e se nos momentos vazios realmente gosta da sua companhia."


Oriah Mountain Dreamer

terça-feira, julho 02, 2013

Ahimsa - ação pacífica ou não violência


Quando o yogi se torna qualificado,
através da prática da disciplina ética,
por abster-se de ações ilícitas (yama)
e da auto-superação (niyama),
pode (então) começar a prática
de asanas e as outras técnicas.
Yoga Bhasya Varana, II:29



Ahimsa é muito mais do que uma ordem para não matar, não ser violento, tem um significado positivo mais amplo, significa AMAR. Um amor que abrange toda criação.

O cultivo da ação pacífica em relação a si próprio é essencial para que a ação pacífica com relação ao mundo possa de fato se tornar uma realidade.
A violência nasce do medo, da fraqueza, da ignorância ou da inquietação. A violência tende a declinar quando os homens aprendem a basear sua fé na realidade e na investigação, não na ignorância e na suposição.

A ação pacífica pode transformar todas as nossas ações. Paz gera mais paz!

Ação pacifica conosco e com o mundo, somos uno e também o todo.

Swami Kuvalayananda vê ahimsa não apenas do ponto de vista físico, mas da sua presença em pensamentos. A violência nos pensamentos pode ser pior do que a violência em si, [quando praticada sem a intenção e sem ressentimentos].
A não-violência não se aplica apenas aos outros, mas também na relação que temos com nós mesmos. A Não-Violência real é o estado de não se machucar, ou machucar alguém verbalmente, mentalmente e fisicamente.
Muitas vezes quando tratamos nosso tempo como se fôssemos uma máquina, os problemas de saúde causados por estresse, falta de sono, ansiedade, fadiga, etc., se tornam mais propícios a ocorrerem.
Ahimsa pode ser interpretada como não fazer mal a nenhuma criatura viva, o que se estende a ter uma alimentação vegetariana.
Praticando ahimsa colocamos nossa consciência no amor e soltamos as ações por esse caminho.

sexta-feira, junho 28, 2013

O suco VERDE



O objetivo de tomar o suco verde é aumentar a quantidade de nutrientes que comemos por dia. O suco pode ser vermelho, se adicionar beterraba ou laranja ao acrescentar cenoura. O importante é que o suco seja feito de verduras e legumes frescos, dê preferência aos orgânicos sempre!
É possível fazer o suco no liquidificador ou em qualquer centrifuga. Porém se você entrar realmente na onda do suco verde, sugiro imensamente que compre uma centrifuga que esprema os ingredientes e não que triture, o que geralmente as centrifugas normais fazem. O investimento em uma boa centrifuga irá economizar e muito na quantidade de suco que você extrai dos ingredientes, pelos meus cálculos você economiza até 30% de ingredientes!
Não estou aqui para fazer propaganda de centrifuga, mas posso declarar que tenho uma centrifuga Samson há mais de 15 anos, e ela é maravilhosa. Dá uma olhada, talvez tenha alguma centrifuga parecida para vender no Brasil, aqui vai o link: http://www.samsonjuicers.com/

Ingredientes do suco
No meu suco não existem ingredientes específicos, coloco os cabos do brócolis, agrião, pêra, inhame, beterraba, mirtilo, salsinha, enfim o que estiver disponível. É legal você estudar um pouco sobre os alimentos e suas propriedades, assim acrescenta no suco o que estiver necessitando no momento. Quando tomo o suco o imagino se transformando em exatamente aquilo que preciso para recuperar o meu corpo. A base do suco é:
1 maçã (para ficar docinho)
3 couve
1 pedaço de salsão
½ pepino
1 ou 2 cenouras
1 pedacinho de gengibre
No final você pode espremer um limão e tomar junto.
Como disse não existem ingredientes fixos, o importante é colocar no suco tudo fresco e saudável. O que queremos é aumentar a quantidade de nutrientes para que o organismo fique forte. Seria impossível comer tantos legumes e verduras assim num dia. Eu tomo dois sucos desses por dia e tenho certeza que ele ajuda muito a melhorar a qualidade do meu sangue.
Uma boa dica é a seguinte, faça o suco pela manhã e guarde em um vidro ou garrafinha de vidro para tomar a tarde. O importante é que o recipiente esteja totalmente cheio, assim não entra ar e não oxida o suco.


sexta-feira, junho 14, 2013

Nossa quanto tempo!


Faz muito tempo que não posto nada por aqui. 

Tenho dado algumas noticias pela pagina no Facebook: www.facebook.com/yogaecancer

Mas também lá não tenho tido muito tempo, ou melhor, disposição para escrever.

Completo em breve 10 meses de tratamento. Ontem fiz a possível última quimioterapia antes de fazer o transplante. Daqui alguns dias faço o exame Pet Scan, para ver que a doença acabou. Caso esse exame dê negativo provavelmente não precisarei fazer radioterapia! E estarei pronta para o transplante. A agonia é esperar fazer o exame é terrível. Mas vou respirando, relaxando e deixando o tempo passar.

Fico pensando no que dividir com vocês sobre Yoga vivendo esse capitulo da minha vida.  Na verdade acho que desde os 18 anos venho praticando para aprender a enfrentar as adversidades da vida. Não sabia que seria tão difícil, e por mais que eu não esteja verdadeiramente praticar muito, sinto que a base física e teórica que eu criei através da prática me ajuda e muito.

Às vezes fico mal, mas sei que são as drogas sobrecarregando meu corpo. Outros dias me dou parabéns e penso, nossa, estou indo bem. Nada como viver um dia de cada vez, e principalmente sem apego. Nada fácil também. Entro em crises profundas em relação ao futuro, em relação a vaidade, em relação ao porque de tudo isso. Mas sem crise vou passando por cada crise, deixando passar, deixando fluir.  

Vou tentar fluir mais textos por aqui. Fiz algumas transformações na minha vida, uma delas é deixar de ser empresária e trabalhar somente com Yoga. Estou muito feliz!

segunda-feira, janeiro 28, 2013

Uma pausa em 2013



Caros familiares, amigos, alunos e professores colegas, é com um misto de emoções que eu compartilho com vocês uma história pessoal e muito séria. 

Fui recentemente diagnosticada com Linfoma de Hodkgin, estou atualmente em um processo muito poderoso de cura e auto-reflexão. O último ano da minha vida foi realmente maravilhoso com o nascimento do meu amado filho Ravi. Veja como a vida pode ser surpreendente e intensa ao mesmo tempo: surge a vida e a descoberta de sua fragilidade com esta doença.

Talvez alguns de vocês possam querer entrar em contato comigo, para saber mais e oferecer ajuda. Aprecio profundamente o gesto e intenção, mas o que é melhor para mim neste momento é ter meu próprio tempo para a introspecção, descanso e cura. Tudo o que está acontecendo e falar sobre este assunto é exaustante. Se vocês acreditam nos poderes curativos da vibração e da oração, serei muito grata em receber abertamente todas as preces.

Como estudante e professora de Yoga há muitos anos, este processo está certamente colocando à prova todas as minhas aulas. Manterei o foco e me atualizarei para poder, em breve, voltar a ajudar meus alunos em seus processos de crescimento através do Yoga.

Estou cancelando os cursos de formação de 2013 e reformularei a agenda no segundo semestre. A partir de março de 2014 acontecerão cursos em: Florianópolis, São Paulo, Campo Grande e Bahia.

Dentro deste meu período de recolhimento e cura, abro-me para receber as boas energias de vocês. Junto dos meus amados Clovis e Ravi ficarei passarei bem por este processo.
Muito obrigada e até breve!

Om shanti
Camila Reitz 



sexta-feira, outubro 19, 2012

Ahimsa através da comunicação


Ahimsa é o primeiro dos Yamas, valores universais ensinados no Yoga. É o princípio da não violência, ou seja, da ação pacifica. O ícone deste valor na Índia e no mundo foi Gandhi que através do não revidar a violência do império inglês, conseguiu acabar com a colonização da Inglaterra na Índia.
A violência ocorre em vários níveis, e o princípio de ahimsa tem como objetivo acabar com qualquer tipo de violência, seja em pensamentos, em palavras ou em ações.
Nos dias de hoje a violência física é considerada como algo absurdo, por isso não saímos por ai dando soco na cara de pessoas que nos contrariam. Isso é muito obvio para as pessoas que tem uma boa condição de vida e de educação. A violência em pensamentos com certeza chega a extrapolar os limites da imaginação, no entanto na grande maioria das vezes não ultrapassa os limites da ação. Com isso vivemos em uma sociedade em que a forma mais simples de liberar a raiva é através da agressividade na comunicação oral ou escrita. Na comunicação escrita tomamos o nosso tempo e pensamos bem sobre o que escrevemos, e é exatamente por isso que as palavras se tornam intensas e quando mal escritas e com má intenção se tornam altamente agressivas. Já na comunicação verbal, como temos a tendência em reagir, fica muito difícil segurar a frustração e ao invés de dar um soco no cara, acabamos dando um soco na boca do estomago com palavras escolhidas para ferir.
Para que isso não aconteça, ou pelo menos com menos freqüência é interessante perceber que a raiz da agressividade surge da raiva e a raiva surge da obstrução de algum desejo. Perceba que sempre que você reage com impulsos de raiva é quando um desejo seu é obstruído, ou seja, quando você se percebe privado de algo que almeja. Então analisar os desejos e a sua relevância é o primeiro passo para uma comunicação pacifica.
Existem várias formas de comunicação e aqui vou explanar quatro delas, estas estão descritas na Bhagavad Gita, aprendi com a minha professora Gloria Arieira no retiro que fizemos no final de semana passado e confesso que escrever irá me ajudar a recordar e a memorizar.
As duas primeiras têm em si elementos para uma comunicação com ahimsa:
·       Comunicação entre um professor e um aluno – neste tipo de comunicação existe a entrega do aluno em ouvir com o coração aberto o que o professor diz. Existe o professor que oferece o conhecimento e o aluno que o recebe.
·       Comunicação entre duas pessoas que tem clareza mental. Quando essa comunicação acontece as duas pessoas tem como objetivo comum o bem um do outro. Por isso falando a verdade, sem agredir sempre chegam ao entendimento e ao crescimento.
As outras duas têm elementos que prejudicam a comunicação com ahimsa:
  • Comunicação julgadora. É aquela entre uma pessoa que tem pré-julgamentos em relação a outra. Quando tenho antipatia por uma pessoa, nada do que ela fale irá me servir. Tenho um pré-julgamento em relação a ela e a tudo o que vem dela. Acabo não ouvindo o que ela fala e projeto minhas aversões em suas idéias. Na verdade isso não é comunicação, pois o que é realmente falado não chega de forma real para a pessoa que “ouve”. Fica uma comunicação do tipo: “só porque você disse, eu não concordo”.
  • Comunicação onde só se fala, onde acaba ninguém ouvindo. Esse tipo de comunicação é o mais freqüente em nossa sociedade. Onde um quer provar por A mais B e através de quem fala mais alto que tem a razão. O objetivo principal desse tipo de “conversa”é  o desentupir e não comunicar verdadeiramente.
A maioria dos desentendimentos surge nos dois tipos de comunicação acima. Para que haja ahimsa através da comunicação é de extrema importância olharmos para o objetivo de estarmos nos comunicando. Perceba se você está deixando a outra pessoa falar. Perceba se você está acuando a pessoa e fazendo com que ela fique na defensiva. Perceba se existe a ausência de mostrar que você está sempre certo. Perceba se você não está julgando. Perceba se você está aberto para ouvir. Perceba se as palavras que você escolhe são as que a pessoa consegue ouvir.
Uma vez um professor na Índia me disse, se alguém não entende o que você falou foi porque você não falou da forma certa e não porque a pessoa que não sabe entender, então fale de outra forma.
Para alcançarmos uma comunicação com ahimsa temos que ter em mente o objetivo da conversa e este objetivo deve ser o entendimento. No entanto existem formas de conversar que não ajudam a chegarmos a um ponto comum. Somente conseguimos entender o outro quando nos colocamos no lugar do outro e percebemos que não faríamos diferente caso fossemos aquela pessoa. As maiores guerras do mundo começaram por pessoas acharem que o seu ponto de vista é o único certo.
Devemos nos lembrar da importância de ahimsa ser o primeiro dos valores do Yoga. Aqui vai um convite para reflexão sobre como nos comunicamos e um cuidar melhor do que falamos, quando e principalmente de como falamos.

quarta-feira, outubro 03, 2012

Ser professor de Yoga


Cada pessoa procura a prática do Yoga por alguma razão especial, e através da dedicação e do tempo doado à prática, alcança os benefícios desejados. Ao perceber um estado de paz interior e bem-estar muitas ficam encantadas e acabam por projetar suas expectativas no professor de Yoga. Ele se torna uma pessoa importante e admirável, afinal trabalha com aquilo que ama, e transmite ensinamentos que podem transformar a vida dos alunos, assim como vem transformando a sua.

Pensando desta forma nasce dentro de muitas pessoas um desejo enorme de mudar tudo na vida, uma vontade de deixar o emprego que não satisfaz o coração e se tornar professor de Yoga também. No entanto, é importante lembrar que com a profissão nasce também uma responsabilidade, um dever, nasce o dharma de ser professor de Yoga. E assim como a prática, esse dever ultrapassa os limites da sala de aula, tornando-se um emprego de tempo integral.

Alguns questionamentos surgem durante a caminhada do dividir conhecimentos. O primeiro deles é: o que é ser professor de Yoga?

Outro é: o que necessito saber? Quando sei que estou pronto para ensinar?
Ser professor de Yoga é na verdade ser um guia espiritual. É ser o espelho onde o aluno enxergar suas dificuldades e também a sua luz. É ser a pessoa que mostra o caminho para o auto-conhecimento. Aqui percebemos que não é uma tarefa tão fácil, pois para ser um guia espiritual que mostra o caminho para o auto-conhecimento é necessário ter andado por este caminho. Para ser o espelho que reflete os condicionamentos do aluno é necessário estar livre dos próprios condicionamentos. O professor é aquele que transmite o conhecimento já realizado.

Então a dúvida para os professores. Será que somos professores? Ou apenas pessoas que transmitem técnicas e vislumbres do que seja essa experiência de realização através do Yoga? Acredito que é melhor a segunda opção, menos pretensiosa, mas realista. Somos instrutores, aquele que indica o caminho, pois conhece a direção e necessita de companhia para caminhá-lo. Afinal, aprendemos e muito ensinando.

Estou em contato com o Yoga a mais de 20 anos, e venho ensinando alunos regulares e futuros professores há quase 12 anos. Diariamente aprendo, continuo estudando, pesquisando, escrevendo, praticando e fazendo cursos de aperfeiçoamento. Tenho a sensação de estar no inicio da caminhada, tenho muito a aprender. Com a experiência vivida trago algumas informações relevantes para aqueles que ensinam e almejam iniciar nessa caminhada.

O importante é ensinar sem pretensões, é ser verdadeiro, é ser exemplo, não é necessário saber tudo, é necessário ser honesto em relação aquilo que se sabe e em relação as suas limitações. Acredito que existem qualidades básicas para ser professor. Afinal ensinar é mais do que transmitir técnicas. É necessário antes de tudo ter compaixão por todos aqueles que anseiam aprender. Além disso, é desejável manter uma atitude de desapego, lembre-se que os alunos não são “seus”, são alunos, que em algum momento irão escolher você para ensiná-los e em outros, irão procurar outra pessoa. Essa atitude nos protege de uma auto-crítica severa, pois quando estamos livres do sentimento de apego, não sofremos e nem duvidamos dos nossos conhecimentos ao “perder” um aluno. No entanto estar atento em relação a rotatividade muito grande de alunos é fundamental. É fácil dar aula para muitos alunos novos, é só fazer uma boa divulgação de seu trabalho. O difícil é mantê-los, para isso continue estudando e nas aulas aprofunde assuntos teóricos e espirituais.

Cuide para não “vestir” a projeção dos alunos, percebo isso acontecendo com vários colegas de trabalho. Assim como os alunos irão colocá-lo num pedestal, irão retirá-lo quando perceberem que você é uma pessoa normal, que está ensinando e aprendendo, tentando e dando o melhor de si. Na verdade todos nós como alunos almejamos encontrar o professor perfeito, e às vezes temos uma idéia platônica em relação aquele que escolhemos como professor. Quando a idealização não corresponde com a realidade, acabamos por perder o professor. Na verdade quem perde é o aluno, devemos aprender com aquilo que gostamos e também aprender a não repetir o que não gostamos.

Como professora, creio que o maior dever é incentivar e entusiasmar o aluno a praticar. Afinal sabemos que ao dedicar tempo a pratica, o Yoga se manifesta. Aprendi com a experiência que ao ministrar muitas aulas por dia acabamos diluindo a energia entre elas, e com isso diluímos também o entusiasmo, desta forma não fazemos bem o papel de professor. Concentre sua energia em dar poucas e excelentes aulas, com certeza isso trará bons resultados.

Caso você seja apenas um praticante encantado com os benefícios do Yoga e está entusiasmado em aprender mais e dividir seus conhecimentos, pense bem antes de deixar seu emprego e mudar totalmente a sua vida. Não é porque o Yoga se tornou uma ferramenta para seu crescimento, que a melhor forma de estar em contato com ele é se tornando professor. O contrário pode acontecer, você pode ficar tão envolvido com a prática de seus alunos que acaba não tendo tempo para a sua.

A profissão é maravilhosa, traz muita satisfação, porém a dedicação deve ser intensa. Para crescer é necessário investir em cursos de aperfeiçoamento, ter tempo para praticar, estudar e produzir conhecimento escrevendo textos e fazendo pesquisas. Não basta somente ministrar aulas, é necessário saber como lidar com aspectos mais densos da profissão, como cuidar da limpeza e harmonização do espaço em que trabalha, ter o compromisso de não falhar nos horários, divulgar o seu trabalho e saber cobrar por ele, além de tantas outras coisas básicas e pequenas que conduzem ao sucesso.

Este texto não tem como objetivo desanimá-lo em relação à idéia de ser professor, mas sim deixar muito claro que o entusiasmo deve ser grande o suficiente para aniquilar todas as dificuldades.

A sugestão é: se você está encantado pelo Yoga, continue praticando faça um curso de formação, aperfeiçoe sua prática, estude e leia muito. Mas como saber se está preparado? Lembre-se que a pessoa só aprende a nadar, entrando na água, e que aprendemos a ensinar a cada aula, a cada aluno novo, a cada dificuldade. Reflita se o seu dharma é ser professor, pois quando o dharma é seguido, o karma é suave, produz crescimento.